domingo, 28 de junho de 2009

Observações

Quando criança, gostava de observar os outros, escrevia tudo que seu cachorro fazia. Anotava as conversas das amigas da mãe quando lhe faziam visitas. Gostava mesmo de observar tudo. Falava pouco. Escrevia muito. Na adolescência, deu-se com a mania de contar histórias, umas verdadeiras, outras inventadas. Cresceu. Adulta, começou a falar e escrever na mesma proporção. Gostava de minúcias, de detalhes, mas já não tinha a prática de observar os outros para escrever. O cachorro há muito tempo não existia. Não morava mais com a mãe para observar as visitas e não tinha muito tempo para contar histórias, inventadas ou não. Nessa fase, gostava mesmo era de bater papo e escrever sobre o que acontecia no mundo. Na velhice, voltou aos costumes de criança, falava menos e escrevia mais, observava os filhos e netos e arranjou um cachorro. Escrevia tudo em caderninhos, que trancava em uma gaveta. Guardava tudo como um segredo. Um pouco mais velha, transformou seus escritos em uma fogueirinha de papel. A partir de então, decidiu guardar tudo em sua mente. Ali, ninguém poderia ter acesso.

Disfarces

A cada dia usa uma máscara e pensa que consegue ser vários, mas é apenas um. Descobri quem é, mas optei pelo silêncio, porque me instiga ver os seus disfarces. Representa bem os seus inúmeros papéis. Quer ser forte, mas a fragilidade salta aos olhos. Uma de suas máscaras é a que melhor se identifica, porque muda de sexo e pode se esconder melhor dos intrusos que tentam ler sua alma. Cada máscara que usa lhe permite oscilar entre o bem e o mal. É sua proteção contra o mundo.

(Imagem: Google)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Neverland

Podem dizer o que quiserem, mas ainda está para nascer um artista como Michael Jackson. Com muito pesar de fã que sou, recebi a notícia de sua morte. Pressentia há algum tempo que seus dias não seriam tão longos. Algo me dizia a cada notícia que tinha dele que não faltava muito para a despedida... Chegou. A forma como conduziu sua vida pode não ter sido das mais felizes, mas não se pode negar a sua importância e excelência como ícone da música pop. Um rei sim! O rei do pop. O rei da minha adolescência. Um artista ÚNICO. Revolucionou a música pop e isso, apesar de sua vida conturbada, é o que quero guardar de sua imagem. Imagem com a qual infelizmente não soube lidar, imagem com a qual nunca se satisfez. Excêntrico, louco, doente, não importa. O que sempre admirei nele foi o artista, não era apenas um cantor ou um dançarino, era um verdadeiro ARTISTA da música pop. Sempre quis ser criança. Agora, enfim, poderá encontrar sua Neverland. Deixo aqui a música Childhood, que fala por si só.

Have you seen my Childhood?
I'm searching for the world that I
Come from
'Cause I've been looking around
In the lost and found of my heart...
No one understands me
They view it as such strange eccentricities...
'Cause I keep kidding around
Like a child, but pardon me...
People say I'm not okay
'Cause I love such elementary things...
It's been my fate to compensate,
for the Childhood I've never known...
Have you seen my Childhood?
I'm searching for that wonder in my youth
Like pirates and adventurous dreams,
Of conquest and kings on the throne...
Before you judge me, try hard to love me,
Look within your heart then ask,
Have you seen my Childhood?
People say I'm strange that way
'Cause I love such elementary things,
It's been my fate to compensate,
for the Childhood I've never known...
Have you seen my Childhood?
I'm searching for that wonder in my youth
Like fantastical stories to share
The dreams I would dare, watch me fly...
Before you judge me, try hard to love me.
The painful youth
I've had
Have you seen my Childhood?




quarta-feira, 24 de junho de 2009

Em terra estranha

Da minha estada em São Paulo, ficou uma lembrança amarga entre as tantas saudosas. Acostumada à quase sempre calorosa acolhida dos brasileiros em todos os lugares nos quais já estive, fui agredida por um oriental na famosa 25 de março. Motivo: Peguei uma mercadoria para verificar a qualidade, um simples par de meias. Para mim, um direito legítimo de consumidora. Não concretizei a compra (tenho esse direito ou não?) e fui agredida verbalmente aos gritos por aquele sujeito, numa mistura de português com japonês ou sei lá que língua era aquela que ele falava, mas foi muito claro o "caralho" que ele berrou ao final. Parece cômico, mas foi uma mácula que ficou. Confesso que a má impressão daqueles orientais se instalou pela forma como outros também me trataram, embora nenhum deles tenha chegado ao extremo de me agredir com palavras. Senti muito, mas prefiro pensar que não passou de um choque cultural, embora nada justifique o tratamento grosseiro que recebi.

E o que dizer sobre as eternizadas por Caetano Veloso avenidas Ipiranga e São João? Confesso que passava por ali segurando bem firme a bolsa, afinal, recebi alerta de várias pessoas de que não deveria me descuidar naquela região... Entendi bem o porquê.

Mas ainda assim me encantei pela cidade. Fiquei perdida naquela imensidão. Foi um perder-me prazeroso, um perder-me para encontrar-me. Ainda estou sob a magia que a cidade causou em mim. Contudo, no dia da partida, assim como Caetano, alguma coisa aconteceu em meu coração de verdade, pois ao mesmo tempo que queria ficar mais naquele lugar para descobrir todos os seus encantos e explorar sua imensidão, quando o avião pousou em minha terra, senti uma alegria inexplicável. Terrinha cheia de vícios, mas onde estão minhas raízes. Talvez tenha vivido uma pequena síndrome de Dorothy às avessas: Não há lugar como o nosso lar, mas quero voltar para lá.

domingo, 14 de junho de 2009

Coisas de amor

Tão diferentes e tão iguais. Dizem que os signos de Leão e Aquário se combinam, apesar de pertencerem a elementos distintos, fogo e ar. Tenho pensado que os astrólogos podem ter razão. Eu, leonina, ele, aquariano. Eu, intensa, ele, oscilando entre momentos frios e calorosos. Como o ar que alimenta o fogo, ele consegue completar o que falta em mim. Contido quase todo o tempo, um louco na cama. Como é bom fazer loucuras com ele. Eu, quase um livro aberto, ele, cheio de páginas cerradas. Companheiro de aventuras, e quantas aventuras. Eu, tagarela, ele, quase mudo. Discrição absoluta para o mundo, escancaramento total para mim. Cúmplice de todos os passos de minha vida. Não lê este blog. Talvez nunca leia o que escrevo aqui. Não gosta de ler. Eu, amante da palavra escrita. Ele, um menino grande cheio de ideias. Tenho todos os motivos para não amá-lo e todos para amá-lo também. Fico com a segunda opção. O amor pula dentro de mim. Amo, apesar de. Amo, por causa de.

Dia dos namorados, as canções de Jorge Vercilo embalaram nosso amor. Noite EMOCIONANTE! Encontrei um vídeo no youtube com uma canção que gostamos muito (Fênix). Não é do show que assistimos, mas foi cantada lindamente lá. Entre as diferenças e semelhanças que temos, a música sempre nos une.

video

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Invasão

Abre a porta de casa. Entra, limpa os pés no tapete. Caminha para a cozinha e encontra uma surpresa. Um bilhete colado na geladeira, que diz: Estive aqui. Ligo mais tarde.

Não faz ideia de quem poderia ter deixado aquele bilhete. E ninguém tem a chave daquela porta. Ao redor está tudo aparentemente em ordem.

Segue para seu quarto e encontra mais um vestígio. A cama desfeita, um cheiro no ar. Aroma agradável que a faz recordar os tempos de criança.

No travesseiro, encontra uma caixa colorida. Dentro dela, encontra mais um bilhete. Você ainda não sabe quem sou, mas entenderá quando eu ligar mais tarde. Guarde esta caixa, pois ela poderá ser útil.

Um medo a arrebata. Corre para o banheiro, despe-se e senta-se no chão. Alguém havia entrado em sua casa, alguém conhecia os seus segredos. Fica ali parada por um tempo, encolhida em si mesma.

O telefone toca. É ele. Ou ela. Com o coração aos pulos, sai do banheiro e atende a chamada. Hesita por uns instantes, mas consegue ouvir a voz do outro lado da linha. Você já sabe quem eu sou? Com a voz quase inaudível, responde: Agora eu sei. Acho que sempre soube.

A campainha toca. Desliga o telefone. Não abre a porta. Poderia ser mais um intruso. A campainha insiste. Veste a roupa rapidamente e decide ver quem é. É o zelador do prédio que traz uma carta. Alguém tinha deixado na soleira da porta.

Não abre. Não tem remetente. Mas ela sabe quem é. Segue para o quarto. Sente-se vigiada. Vê a caixa aberta em cima da cama. Guarda ali a carta.

Volta ao banheiro, toma banho. Lava os cabelos demoradamente. Não pensa em nada, apenas ouve o barulho da água caindo no chão.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Céu aberto


Depois da tempestade... O céu se abriu outra vez. Ainda bem que durou pouco a nebulosidade. Há momentos em que a melhor forma de ganhar energia é fazer as malas. Estou fazendo as minhas. Vou florescer um pouco em outros ares.

(Imagem: Flickr)

sábado, 6 de junho de 2009

Desabafo

Nas duas últimas semanas, minhas pétalas quase murcharam. Primeiro, encostei meu carro no carro de um vizinho. Não foi nada de grandes proporções, mas me causou uma pequenina dor de cabeça. A sorte é que esse vizinho é boa gente, porque se fosse algum outro, estaria com um problema enorme. Pior é que meu carro já apareceu ralado nessa "bendita" garagem e só Deus sabe quem foi o causador... Como se não bastasse, outro vizinho tem me causado transtornos, pois com sua falta de bom senso e por uma lógica absurda que só ele entende, se acha no direito de ocupar uma vaga a mais na garagem do prédio. Volta e meia me deparo com o carro dele na minha vaga e isso tem me tirado muito do sério. Seguindo essa linha automobilística, recebi uma autuação de infração de trânsito por excesso de velocidade. Logo eu... Mas descobri pela data e horário que não fui eu, mas sim meu namorado, mas como ele é bastante cauteloso com esses radares eletrônicos, é claro que vou recorrer. Pode ter realmente ocorrido o fato, mas é algo questionável, por isso, não pagarei a multa assim tão facilmente.

Ontem, para completar meu inferninho astral, fui assaltada. Um malandro levou meu celular. Não vou comentar sobre muitos detalhes da cena, só digo que tentei argumentar um pouco com ele de que meu celular não tinha tanto valor, mas entre aquele celular todo descascado que nada me havia custado, já que foi a operadora telefônica que me deu, e os demais objetos que carregava em uma sacola de compras e na minha bolsa, não relutei tanto e lhe entreguei o celular. De fato, não foi uma perda tão grande, afinal, a operadora telefônica já vai mandar outro para mim, que será recebido na comodidade do meu lar. Um infeliz aquele homem. Pelo menos não houve violência física.

Continuando meu desabafo, hoje aconteceu um fato inusitado. Depois de rodar horas e horas no shopping em busca de um presente de dia dos namorados, consegui encontrar algo perfeito. Mais tarde, ao conversar com o presenteado, ouvi seu relato feliz da vida de uma aquisição que tinha feito. A felicidade dele se converteu em tristeza minha, porque, acreditem, ele tinha comprado exatamente a mesma coisa que eu tinha escolhido para ser o seu presente. Ê, sintonia... Gosto quando nossa sintonia se cruza bem, mas hoje preferia que não tivesse sido assim. Resultado, lá vou eu trocar o presente. Não resisti e revelei a (in)feliz coincidência. Ele achou super engraçado, enquanto eu nem um pouco.

Para finalizar, hoje começaria um curso novo, mas pela segunda vez seguida foi adiado. Só tive o "trabalhinho" de me deslocar até o local do curso em meio a uma série de adversidades, mas tudo bem, eu sobrevivi. Há coisas muito piores acontecendo no mundo, embora não me sirvam de consolo, mas de motivo para murchar mais ainda. Mas, eu não me renderei. Como disse no início, eu quase murchei. Quase. Ainda bem que foi quase. Daqui a pouco minhas pétalas estarão completamente abertas outra vez. Para relaxar, fui ao salão de beleza. Arrumei as madeixas e pintei as unhas de violeta.

P.S.: Em comemoração à semana do meio ambiente, um estudante bem gurizinho me abordou na rua e me deu algumas sementes de girassol. Vou plantar para ver se vingam.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eu mesma

Eu amo a minha mãe, converso com meu cachorro e falo sozinha. Eu amo tirar fotos, tenho mania de mexer no cabelo, gosto de estudar e acredito no amor. Eu amo tomar sol, teatro e cinema. Eu amo a natureza, os animais e as flores. Até quando a natureza suportará? Eu amo viajar com meu amor, quero casar e ter filhos e adoro dormir juntinho. Conversa é a base de tudo na vida. Eu odeio buzina, bebida alcóolica, drogas e gente sem personalidade. Sou viciada em livros, amo e acredito em Deus e minha imaginação é foda! Acredito que o Brasil precisa de Educação, violência com animais é crime e música é um bem necessário. Escrever é minha terapia. Sinto falta da minha vó. Venci o medo de dirigir. Cheiros me trazem lembranças. Eu não jogo lixo no chão. Vejo nuances nas coisas. Adoro filme, pipoca e guaraná. Nada acontece por acaso. Eu não pertenço a este mundo. Sou fã de Renato Russo, Fernando Pessoa, José Saramago, Mariah Carey, Michael Jackson, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Mário Quintana, Jota Quest, Skank, Carlos Drummond de Andrade, Ana Carolina, Djavan, Luís Fernando Veríssimo, Machado de Assis, Aghata Christie, Gabriel Garcia Marquez, entre tantos outros nomes, lembrando que admiro os artistas, suas vidas pessoais nem tanto, em alguns casos.

Meu Deus, em quem confiar? Abstraia, a solução é abstrair! De gente ruim quero distância. Da minha vida cuido eu!

Obs.: Ideia roubada de uma e-amiga, baseada nas comunidades das quais participo no orkut.