quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Grandes poetas estão indo embora

Não sei se tem sido um ano de muitas perdas artísticas ou se é apenas impressão... Mas grandes poetas estão indo embora. Hoje foi a vez de Manoel de Barros, o menino que carregava água na peneira em suas poesias e conseguia fazer com que o nada, o vazio, as ilusões tivessem algum sentido pelas palavras, ou não.

"A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas."

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sonhos


Façamos dos sonhos realidade e da felicidade uma missão de vida!!! Não vamos deter os desejos, porque a vida é efêmera e precisamos escolher o melhor tom para a nossa! "Façamos da interrupção um caminho novo. Da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro!"

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Das coisas que me fazem bem

Passando por aqui rapidinho para varrer a poeira do blog. Esta casa volta e meia fica abandonada, mas eu sempre volto. Vou deixar uma canção que adoro de Nando Reis e Ana Cañas para alegrar o ambiente. É assim que anda minha alma, em meio às agruras diárias, mantenho-me incansável guerreira do amor, da alegria e de tudo que faz bem ao coração.

video


Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar

Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

domingo, 4 de maio de 2014

Um mergulho na História

Quem me conhece sabe que viajar é meu vício. Sempre que posso, faço as malas sem pestanejar. Minha última aventura foi pela Europa e foi um verdadeiro mergulho na História! Estive em algumas cidades da Espanha, França, Suiça e Itália, incluindo o Vaticano e o Principado de Mônaco. Não tenho palavras para descrever o quanto foi bom conhecer lugares e obras que só tinha visto antes nos livros de História, Literatura, ou pela TV, internet. Foi realmente fantástico! O tempo foi curto para explorar tantas preciosidades do velho mundo, e certamente voltarei aos lugares que mais me encantaram para explorá-los melhor. Amei tudo e mais ainda ter encontrado de novo uma gaivota em meu caminho, quando estava em Roma. Essa ave é muito representativa para mim! Consegui captá-la no momento em que voou na minha direção. É a gaivota da canção de Toquinho que me guia nas aventuras turísticas no exterior. Como diz a canção, ela vai contornando a imensa curva norte-sul e eu sigo com ela, descobrindo esse mundão de meu Deus!

Não vou deixar dicas para outros viajantes como de costume, porque foram tantos lugares visitados e tantas impressões, que daria um livro e não um post, mas qualquer pessoa que precisar de dicas, terei prazer em ajudar e explicar tudo com riqueza de detalhes.

 Vista da torre Eiffel, lá no fundo, em Montmartre, Paris
 A famosa torre Eiffel

 Mont Blanc

 Genebra, Suiça

 Um frio!!!

 Joguei minha moedinha na Fontana de Trevi, em Roma. Eu voltarei!

 Praça de São Pedro, Vaticano. Pronta para a missa de Ramos.

 Veneza, sua linda, eu voltarei com meu amor. Que aura maravilhosa tem esse lugar!

 Fiquei maravilhada ao encontrar Rômulo e Remo em Roma. Lembrei muito das aulas de História!

 Torre de Pisa

 Madri, Espanha

 Sangria

 Vale do Loire, França

 Monte Carlo, Mônaco, um luxo!


 Ruínas do Senado romano

 Meridiano de Greenwich


Minha ave protetora, a gaivota que me encontrou em Roma. Linda e especial!





quinta-feira, 1 de maio de 2014

Somos todos macacos?


Em tempos de Copa do Mundo, no país do futebol, o assunto do momento é a banana que atiraram em uma partida entre o Barcelona e o Villarreal, na Espanha, ao jogador brasileiro Daniel Alves, o macaco da vez. Eu, que não gosto de futebol e pouco acompanho as notícias relacionadas a esse esporte, diante da repercussão do caso, acabei me deparando com outras matérias sobre atos de racismo em campos de futebol europeus contra os jogadores não somente brasileiros, mas todos aqueles de etnia negra. Em viagem recente à Europa, inclusive estive na Espanha (pretendo escrever um post sobre a viagem), vi muitos negros em condições de subemprego como vendedores de bugigangas, souvenirs, produtos falsificados, ou em outros empregos de menor valorização profissional, como por exemplo camareiros de hotel. Então, ao misturar todas essas imagens na mente, lembrei-me de um livro de Frantz Fanon, "Peles negras, máscaras brancas". O livro foi escrito na década de 40 ou 50, não sei ao certo, mas ainda se mostra atual, por uma fatalidade que vemos perpetuar-se em cada gesto como o ocorrido esta semana, naquele campo de futebol, e seus desdobramentos. Uns criaram a campanha #somostodosmacacos. Outros, em contraposição, levantaram a bandeira #somostodoshumanos. Certo é que ambos apregoam o combate ao racismo, ao chamar a atenção para o fato de que somos todos iguais.

E por que o livro de Frantz Fanon me veio à mente? Por toda a simbologia presente em sua obra, na qual aborda os efeitos do colonialismo e do racismo na sociedade, especialmente os conflitos pós-coloniais ocorridos nas Antilhas, com destaque para a ilha da Martinica, onde nasceu, local conhecido por suas plantações de bananas, onde, inclusive, há um museu chamado Museu das Bananas, ponto turístico da ilha. Não vou me estender sobre a obra de Fanon, mas recomendo a leitura para aqueles interessados em explorar melhor o tema. A obra é extremamente simbólica, apresenta análises muito pertinentes de propagandas, canções, filmes, dentre outros, em que os negros são colocados no lugar de subalternos e, guardadas as devidas proporções, as análises são bastante atuais.

No Brasil, perpetua-se a ideia do multiculturalismo, da democracia racial, mas convivemos, ainda, com o racismo velado, que faz parte do inconsciente coletivo, mesmo sendo um país altamente miscigenado, temática que renderia muitas linhas... E aos olhos do mundo, o que somos? Macacos? Para alguns (espero que seja somente alguns), sim, com toda a carga simbólica negativa que essa comparação possa ter, infelizmente.  Somos todos macacos? Não, prefiro levantar a outra bandeira de que somos gente, somos humanos, e digo isso não por alguma deferência negativa de minha parte aos macacos, que por sinal eu adoro e são muito inteligentes, mas porque entendo que levantar a bandeira de que todos somos macacos, carrega a marca semântica pejorativa que acompanha historicamente essa comparação. 

Deixo aqui um trecho do prefácio do livro de Fanon, para reflexão:

“O negro é um homem negro; isto quer dizer que, devido a uma série de aberrações afetivas, ele se estabeleceu no seio de um universo de onde será preciso retirá-lo.

O problema é muito importante. Pretendemos, nada mais nada menos, liberar o homem de cor de si próprio. Avançaremos lentamente, pois existem dois campos: o branco e o negro.

Tenazmente, questionaremos as duas metafísicas e veremos que elas são freqüentemente muito destrutivas.

Não sentiremos nenhuma piedade dos antigos governantes, dos antigos missionários. Para nós, aquele que adora o preto é tão “doente” quanto aquele que o execra.

Inversamente, o negro que quer embranquecer a raça é tão infeliz quanto aquele que prega o ódio ao branco.

Em termos absolutos, o negro não é mais amável do que o tcheco, na verdade trata-se de deixar o homem livre.”

segunda-feira, 31 de março de 2014

Mulheres são livres

 Sobre a celeuma da pesquisa divulgada pelo Ipea recentemente, em que mais da metade da população brasileira entende que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas": O problema é que as mulheres pertencem, ainda, a uma classe marginalizada da sociedade, por isso precisamos nos defender de todos os tipos de abusos que nos são impostos, por isso querem nos privar de nossas liberdades, por isso questionam nossas roupas, por isso há muitas mulheres que se anulam, ainda... Mas nós somos mais fortes e espero poder viver o suficiente para ver as mulheres e todas as categorias sociais marginalizadas livres dessas "marcas" que insistem em nos fazer carregar. O problema, também, é que no Brasil parece haver uma tendência a resolver problemas atacando as consequências e não as causas... Por que em vez de "ensinar" a mulher a se "proteger" de estupros, os homens não são ensinados a não estuprar? Por que em vez de sermos orientados a viver em alerta constante contra assaltos, não buscam meios eficazes de educar a população a não assaltar? Por que em vez de criarem cotas nas universidades para corrigir deficiências no ensino fundamental e a eterna "dívida social" com os negros, não corrigem o mal em sua origem, proporcionando educação de qualidade e pondo fim aos preconceitos para que todos, indistintamente, possam ter as mesmas oportunidades? São muitas as indagações e a discussão é longa, mas deixo aqui as reflexões. O certo é que pesquisas como essa confirmam que vivemos em uma sociedade doente. Que possamos contribuir com sua cura. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O nazismo sob o olhar de meninos



"O menino do pijama listrado" e "A menina que roubava livros". Duas histórias cujos personagens ficarão eternamente guardados em meu coração. Na contramão do que tenho por hábito fazer, vi os filmes antes de ler os livros (o que será minha ocupação nos próximos dias) e fiquei encantada. Ambas as narrativas apresentam algo em comum: o nazismo, o holocausto, Hitler. Por isso, já dá para imaginar que se tratam de histórias tristes. Sim, tristes, porque não há como reviver o massacre dos judeus sem se entristecer com o maldade humana. Não é à toa que o narrador de A menina, bem adequado ao contexto da obra, a Morte, afirma achar os humanos assustadores por unirem em si o bem e o mal. Sempre que me deparo com histórias sobre o extermínio dos judeus em prol de uma raça ariana ou por acharem que os judeus delataram Cristo ou outras justificativas que em nada explicam tanto sangue derramado, sinto uma dor profunda ao constatar o mal que a imposição das religiões, ideologias, radicalismos causou e ainda causa ao mundo. Tenho uma base de formação cristã, mas respeito quem não crê ou tem outras ideologias, pois a verdade sobre o mundo, sobre Deus e todas as coisas deve ser um grande mistério que ninguém conhece ou tem autoridade para impor. É insano matar pessoas por não seguirem certos preceitos. Ver tudo isso representado nas telas toca na alma. Mas em O menino e A menina o que mais me tocou foi ver a representação da inocência infantil que dá mais valor à amizade em detrimento aos interesses escusos nazistas. Duas lindas histórias e depois de ser tocada por elas, um desejo cresceu ainda mais em mim: que os seres humanos possam se ver apenas como tais, livres de guerras, de imposição de crenças, de discriminação entre raças e credos. Um mundo livre.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Quero serenar

Ah, que saudades senti hoje de trabalhar com as palavras e suas infinitas possibilidades. Saudosos estudos literários... Quando penso que há tanto a ver nos entremeios das palavras, na arte, na poesia, nos devaneios bons que se seguem a uma boa leitura, reflito se fiz a melhor escolha ao trabalhar na área de gestão de pessoas. Oh, pessoas e suas heterogeneidades... Como é difícil gerenciar conflitos e lidar com atitudes tão díspares de nossos pensamentos e posturas. Hoje realmente senti saudades de sentar na frente de meus alunos em semicírculo, abrir um livro, viajar com eles para um vasto campo de possibilidades, trocar ideias, interpretações e novas escritas sob o ponto de vista de cada um. Leonardo Boff disse que "cada ponto de vista é a vista de um ponto" e tinha toda a razão. Preciso serenar...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Oscar


O Oscar se aproxima e sempre que divulgam a lista dos indicados, boa parte dos filmes ainda não havia entrado em cartaz na minha cidade, então os cinemas passam a exibi-los e corro atrás do máximo possível para avaliar quem merece o prêmio. Nessa corrida maluca e com o tempo desorganizadíssimo, consegui ver a a atuação de Meryl Streep em "Álbum de família" e de Leonardo DiCaprio em "O lobo de Wall Street". Embora ainda não tenha visto as demais atuações, se os dois ganharem na categoria melhor atriz e ator, bato palmas para a Academia, pois as atuações de ambos foram irretocáveis. Meryl Streep sempre reluz em cena e mais uma vez recebeu a indicação com louvor. DiCaprio mostrou um amadurecimento profissional espetacular, sua atuação é convincente e consegue prender a atenção durante as 3 longas horas de filme. Acredito que seja um candidato forte este ano a levar a estatueta. Tiro o chapéu também para o diretor Martin Scorsese, que dirigiu o Lobo e  mostrou que o tempo não o fez perder o talento. Quanto aos filmes, Álbum não concorre a melhor filme, talvez por apresentar uma temática já corriqueira no cinema sobre os problemas que envolvem uma família, com segredos revelados, mágoas guardadas, traições entre outros temas que rondam ambientes familiares problemáticos. Já o Lobo traz para as telas um tema inortodoxo, regado a dinheiro, sexo, drogas e poder. Resgata uma época norte-americana dos poderosos de Wall Street e a ambição que cerca o mundo dos negócios e vendas de ações fraudulentas, com cenas hiperbólicas, por vezes até caricatas, mas que apresentam uma ironia sutil como pano de fundo, com um desfecho que sugere que tiremos nossas próprias conclusões sobre a trama.

sábado, 18 de janeiro de 2014

A vida é bela e cada um cuide da sua


"Viver e não ter a vergonha de ser feliz": meu lema, eternamente, amém. Acho curioso como há tanta gente que vive pela opinião dos outros, por isso esse tema tem sido recorrente por aqui. Já vi tanta gente deixar de viver ao seu modo por temer o julgamento alheio, por não ter coragem de ir de encontro ao que sabe Deus quem estabeleceu como o socialmente aceito, e perder a oportunidade de se sentir de bem com a própria vida. Eu não, infinitamente não! Quero ter o prazer de dizer sempre que fiz da minha vida o que meus instintos mandaram, que tomei decisões por conta própria, que vivi experiências que me fizeram bem ao coração, que não perdi parte dos meus dias pensando no que deveria ter feito, simplesmente fiz. Quero ter a tranquilidade de passar noites tranquilas sem amargurar qualquer mínima coisa que eu tenha feito somente porque Fulano, Sicrano ou Beltrano assim pensam ou por receio de críticas. Amo minha liberdade de escolha e prezo muito por isso. Não causando mal a ninguém, quero viver como eterna aprendiz como diz a velha canção de Gonzaguinha do início desta postagem. Deixo um trechinho dela aqui, como um hino do meu estado de espírito. A vida é bela... e cada um cuide da sua! 

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

Imagem da Ilha de Boipeba, da minha linda Bahia, terra amada e com seus defeitos, mas sempre cheia de encantos e de natureza abençoada por Deus.