O dia internacional da mulher encontrou em 2011 um forte concorrente: o carnaval. Em plena terça-feira de folia momesca, as mulheres ficaram em segundo plano. Que dia da mulher que nada! Quero sair na avenida e gritar: "Eu te amo, porra!" Assim é o refrão de uma música bastante cantada este ano. Bem distante de canções mais doces e românticas, como "a onda te trouxe, sereia do mar, princesa do céu, quero namorar", entoada em "Menina me dá seu amor", por exemplo. Muitas canções têm sido feitas na base da depreciação absoluta da mulher, ao estilo: "toma, negona, toma chupeta" ou "rala a tcheca no chão". Manifestações populares. Ok, mas muito grotescas. As músicas são quase um sexo explícito e animalesco. São "amores" brutos: "Eu te amo, porra!", gritado várias vezes com força. Toma, negona, rala a tcheca no chão, só as cachorras e as piriguetes. Ouvi uma dessas impressionantes canções que dizia que o cara estava cansado de beijo na boca e só queria fuca na catchuka e na rádio me "emocionei" com "tu desce e aquece o cu, sobe e aquece a xota, agora a mulherada vem com o peito na piroca". E quando eu penso que já ouvi tudo, eis que me deparo com uma "canção de amor", que traz em seu refrão: "pega no meu pau e chupa o meu saco, comer o seu buraco, você vai ter que dar". Uau...
É, mulheres, sexo é bom, mas não é tudo e com carinho é muito melhor. Para nosso dia, deixo um registro de minha indignação pelo que tem sido entoado sobre nós ou para nós em certas "canções". Beijos, abraços, carinhos, afagos, conquista, declarações de amor, e por que não poesias é que precisamos. Nesses tempos de carnaval, reparei que o Chiclete com Banana tem uma boa relação de carinho conosco em suas canções, mesmo quando faz alusão ao sexo: "Eu quero é te amar, me entregar ao prazer, amanhecer em seus braços até o dia amanhecer." Com dois dias de atraso, mas ainda em tempo: Feliz dia internacional da mulher! E que os homens tragam para nós, assim como diz a canção, o brilho das estrelas, nos entreguem o mundo inteiro e nos chamem de meu bem. :-)
quinta-feira, 10 de março de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Ainda falta
Ainda falta. Pode ser fruto de um tempo mal aproveitado ou até bem, quando é possível. Mas ainda falta. Difícil conviver com adversativas. Elas sempre nos levam a uma oposição... É ruim, mas é bom. Ouço muito isso de minha professora de pilates. O corpo não responde bem à vida que levo. Ele grita quando estou presa no trânsito ou quando me enfurno em frente ao computador. No carro, temo abrir as janelas. O ar é viciado, artificial. Gostaria de poder respirar livremente, mas ainda que pudesse abrir os vidros sem medo, o calor me sufoca. O ser humano está se autodestruindo. A natureza tem dado muitas respostas, mas é preciso ser dotado de muita sapiência para compreender e ter um bom convívio com ela. Hoje, a nação egípcia tenta derrubar um ditador pelo sonho da democracia, mas a democracia é apenas um disfarce, uma forma velada de ter sempre o poder, mas com o aval do povo. Ando cética nos últimos tempos. As relações de poder são muito sujas, ainda que democráticas. Sinto saudades do cachorro, do sorvete de mangaba, do almoço de domingo e de minha voinha que não está mais aqui, mas gosto de cultivar meu canto, meu espaço, minhas begônias e mais do que tudo, minha liberdade. Quero estar junto com ele, mas também quero ter momentos somente meus. Mas, mas e mas. E eu só quero mais, porque, apesar de tudo, ainda falta.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Click!
Não se sabe para onde vai a foto,
mas o importante é aparecer em algum lugar.
Juntem-se e abram um sorriso,
para nossa alegria se eternizar.
Click!
Click!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Antes que o ano termine
Shopping apinhado de gente. Passos apressados. Mulheres em busca de vestidos brancos. Todas em busca de paz. O tempo é curto. O ano está perto do fim. Quem ganhará o carro da promoção? Quem ganhará a mega-sena da virada? É preciso fazer muito antes que o ano termine. Para que tanta pressa se depois da meia-noite um novo ano se abre? O artista passa anônimo no meio da multidão. Nem dá tempo de pedir um autógrafo ou registrar o momento com um flash. Você vê o artista, o reconhece e lhe abre um sorriso surpreso. É ele! Toca-lhe o braço e continua a andar, com pressa, sempre com pressa, pois a velocidade do mundo consome você.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Não sei o que dizer
Entrei e saí do blog várias vezes hoje. Quero escrever algo, mas não sei o que dizer. As palavras estão turvas em minhas ideias. Não sei ao certo o que as deixam assim. No final, largo aqui o que me vem à mente, à toa. Tenho tanto a fazer ainda e me falta vontade. Preciso ser sábia para administrar melhor o tempo. Este ano está indo embora. Não sei o que o futuro me reserva. Ninguém sabe. O futuro a Deus pertence, não é? Espero que sejam alegrias. Os sentimentos oscilam demais, às vezes. A alma permanece inquieta. Eterno carma em minha vida. Há momentos em que os sentimentos se acalmam, viram águas tranquilas, mas vem uma maré forte e os abalam novamente. Quero mais. Não sei exatamente o quê, e sabe Deus se um dia terei alguma resposta, só sei que quero.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Tirando o pó
Quanto pó sobre os móveis. Precisa de uma flanela e de um bom espanador. As flores estão com as folhas secas. Bem sequinhas. Precisam de um regador. Solitária esta casa. Poucas vozes, ou quase nenhuma. Silêncio demais por aqui. Mas do lado de cá, há muitas vozes e alguns silêncios. No entremeio, uma casa que se constrói. Um novo lar, no qual nenhuma poeira habita. Cá, existe paz no coração. Abra as janelas, para o vento passar.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Hoje trouxe Camões para florir meu blog. Este poema é a tradução perfeita do meu atual estado de espírito. E como tudo muda em uma velocidade muito intensa, amanhã outro poema poderá traduzir melhor meus ânimos.
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Hoje trouxe Camões para florir meu blog. Este poema é a tradução perfeita do meu atual estado de espírito. E como tudo muda em uma velocidade muito intensa, amanhã outro poema poderá traduzir melhor meus ânimos.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
E tem aqueles dias
E tem aqueles dias em que você não quer pensar
E tem aqueles dias em que você quer voar de asa delta ou entrar num balão
E tem aqueles dias em que você quer plantar uma árvore e escrever um livro
E tem aqueles dias em que você quer ser super-herói
E tem aqueles dias em que você quer fazer uma nova amizade e contar seus segredos
E tem aqueles dias em que você quer ficar horas a fio embaixo do chuveiro
E tem aqueles dias em que você quer fazer uma receita de bolo de chocolate
E tem aqueles dias em que você só quer o chamego de quem ama
E tem aqueles dias em que você não sabe se deve continuar em uma estrada
Mas segue mesmo assim.
E tem aqueles dias em que você só quer dançar
E tem aqueles dias em que tudo que você quer é dormir em Londres e acordar em AtenasE tem aqueles dias em que você quer voar de asa delta ou entrar num balão
E tem aqueles dias em que você quer plantar uma árvore e escrever um livro
E tem aqueles dias em que você quer ser super-herói
E tem aqueles dias em que você quer fazer uma nova amizade e contar seus segredos
E tem aqueles dias em que você quer ficar horas a fio embaixo do chuveiro
E tem aqueles dias em que você quer fazer uma receita de bolo de chocolate
E tem aqueles dias em que você só quer o chamego de quem ama
E tem aqueles dias em que você não sabe se deve continuar em uma estrada
Mas segue mesmo assim.
domingo, 22 de agosto de 2010
Descalça
Indisposição mental. Cansaço. A verdade é que gostaria de encontrar mais qualidade de vida. O trabalho tem sido chato. Sem muitas inovações. Mesmice me incomoda. Gosto de mudanças. Rotina é um porre. Escrever aqui não é mais a mesma coisa há muito tempo. Tentei escrever sobre blogs, mas as atribuições rotineiras do trabalho me absorveram. Apertei o stop. Delineei novo rumo a minha vida saindo da casa de meus pais. Estou em fase de transição. Sei onde quero chegar, mas os meios para alcançar estão um pouco turvos. Ainda. Em sonhos, Deus sempre me envia sinais. Alguns consigo interpretar, outros permanecem em mistério. Livros e filmes acumulados. Leituras inconclusas. Algumas pessoas intragáveis com quem tenho que lidar. Não combino com este mundo. Não mesmo. Queria poder colocar uma mochila nas costas e sair pelo mundo afora sem rumo definido. Ainda serei mochileira na Europa, mesmo que seja apenas como turista curtindo as férias suadas para conquistar. Dias melhores, dias diferentes, dias mais vibrantes. Cuidar do meu novo lar tem sido bom. É indescritível a sensação de escolher os móveis, a cor das paredes. Os gastos são muitos, mas a razão é válida. Estava de férias e volto ao trabalho esta semana com vontade de prolongar o período de ausência por lá. A verdade é que o que faço não me seduz. Sinto muita falta de muito. Mas procuro fazer tudo da melhor forma possível. É o meu dever. Gostaria de aliar o dever ao prazer. Às vezes me sinto mal agradecida por não me sentir satisfeita profissionalmente. Mas o que posso fazer se sinto? Não que abomine tudo que faço. Há coisas que me proporcionam satisfação sim, mas a burocracia, a rotina, os jogos de vaidade sugam minhas energias. Se a felicidade não fosse o lema de minha vida, talvez não aguentasse a pressão. Ando sensível e com a mente extremamente inquieta. Odeio acomodação. Acho que tenho andado bastante descalça por aqui. Boa noite.
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