Mostrando postagens com marcador Confissão e reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Confissão e reflexão. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de julho de 2010

30

30 anos batendo à porta. Sempre ouvi falar da crise dos 30. Fui premiada, escapei ilesa, ou quase. Vivenciei a crise dos 25 e o retorno de Saturno, mas aos quase 30, meu compromisso é com a felicidade e apenas isso. Ou tudo isso. E nesse passar de anos, descobri que a crise é um construto social. São os outros que nos cobram sempre. E são vários os tipos de cobrança, mas aos 30, há duas que não cessam: casamento e filhos. Em outros tempos, talvez realmente entrasse em crise, mas à beira dos 30, não há espaço para pressões e cobranças. Sou livre, uma fruta fresca, que sabe exatamente o que quer da vida e luta para alcançar seus objetivos. “Já está na hora”. Ouço tanto isso. Certo dia, ouvi um diálogo entre duas colegas de trabalho: “Já está na hora de encomendar o bebê.” “Não estamos pensando em filhos agora.” “Então pra que casou?” “Eu casei para ser feliz”. Xeque-mate.

Tudo ao seu tempo. Já está mesmo na hora, mas de liberar a mente e ser feliz!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Decidir

O decidir às vezes é trôpego. Bambeia, vacila, pende para um lado da corda, mas quando acontece, segue firme, de corpo ereto e olhar preciso. Às vezes, decidir dói, abala as estruturas, causa arrependimentos, outras vezes liberta, proporciona paz, alimenta certezas. Às vezes, tudo isso se embaralha. Contudo, para alguém que decidiu ser feliz, decidir, mesmo que doa, vale a pena.

domingo, 11 de outubro de 2009

Em busca do melhor ângulo

Tenho formação católica, estudei em colégio de padres. Doces anos sob os princípios pregados pelas escolas salesianas. Guardo muitas lembranças boas dos meus tempos de escola. Passo em frente ao colégio e me emociono. Hoje, em um de seus muros está escrito "Uma vez Salesiano, sempre Salesiano". É verdade. É uma grande família. Eu cresci lá. Sinto saudades. Costumava brincar que existiam passagens secretas e segredos misteriosos que os padres escondiam. Acho que li Aghata Christie demais e tomei gosto pela espionagem. Lembro que um dos livros que mais gostei de ler na escola se chama "O gênio do crime". Não sei quem é o autor.

Então, católica por formação. Não muito praticante nos últimos tempos, talvez por ter consciência dos males que a igreja católica já praticou, talvez por não concordar com alguns de seus dogmas, talvez por saber que religiões funcionam como forma de exercer controle sobre as pessoas. Mas não consegui até hoje encontrar refúgio espiritual em outra religião. Às vezes digo que sou ecumênica, creio um pouco em cada coisa. Mas não é bem verdade. Há religiões nas quais definitivamente não creio.

Na igreja católica existem alguns sacramentos. O primeiro deles é o batismo. O que abre as portas para os demais. O necessário para que a pessoa se incorpore a Cristo e ao catolicismo. O batismo sempre teve um significado importante para mim. Não tanto pelos motivos citados, mas pela madrinha maravilhosa que minha mãe escolheu para mim. Melhor escolha não poderia ser feita. Minha madrinha soube e sabe exercer de forma irretocável sua função. Infelizmente, não posso dizer o mesmo sobre o padrinho e o mais curioso é que ele mesmo se ofereceu para a missão, mas... da mesma forma que se ofereceu para me apadrinhar, também decidiu se "desobrigar" da tarefa.

Hoje, tive o prazer de batizar o filho de minha madrinha. Criança abençoada. Luz de nossas vidas. Para isso, tive que fazer um "curso" de batismo, no qual achava que receberia aconselhamentos sobre a importância e significado de ser madrinha de alguém. Houve isso no curso, sim, houve, mas o que mais foi enfatizado a todo momento foram as coisas que deveríamos responder ao padre na hora do batismo. "Respondam direito para o padre não reclamar com a gente depois".

Dia do batizado. Igreja confusa. Batizado coletivo. Sete crianças. Pais, padrinhos e convidados agitados. Chuva abundante. Durante a celebração, mal ouvia o que o padre dizia. A preocupação maior era em tirar fotos pelo melhor ângulo. Vamos ver quem aparece mais. As respostas que deveríamos dar ao padre eram ditas por ele mesmo. "Quando eu perguntar, respondam isso, respondam aquilo". Mesmo assim, poucos respondiam, estavam muito ocupados a procura do melhor ângulo, como já disse. A beata da paróquia, assustada, respondia às perguntas do padre em voz alta para tentar salvar a celebração. Na hora de molhar a cabeça das crianças, uma confusão generalizada. Uns querendo passar na frente dos outros, sempre em busca do melhor ângulo, afinal aquele momento não poderia escapar aos flashes. Alguns ali sequer devem frequentar a igreja. Os filhos e afilhados talvez só retornem para realização de casamento, por pura tradição, ou moda, ou sabe-se Deus o quê. No curso que fiz antes do batizado, perguntou-se a uma mãe que estava presente o motivo pelo qual desejava batizar o filho. Sua resposta: "Não sei. Todo mundo batiza, também quero batizar o meu". Todos em busca do melhor ângulo.

Seja como for, nem eu mesma sei se boto fé nesse ritual católico. Deus sabe o amor que tenho pelo meu afilhado e o acompanhamento que petendo dar a ele por toda a vida. Esse é meu compromisso. O meu melhor ângulo não poderia ser registrado, pois não estava visível aos olhos, estava pulsando de felicidade e vontade de honrar minha missão.