segunda-feira, 31 de março de 2014

Mulheres são livres

 Sobre a celeuma da pesquisa divulgada pelo Ipea recentemente, em que mais da metade da população brasileira entende que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas": O problema é que as mulheres pertencem, ainda, a uma classe marginalizada da sociedade, por isso precisamos nos defender de todos os tipos de abusos que nos são impostos, por isso querem nos privar de nossas liberdades, por isso questionam nossas roupas, por isso há muitas mulheres que se anulam, ainda... Mas nós somos mais fortes e espero poder viver o suficiente para ver as mulheres e todas as categorias sociais marginalizadas livres dessas "marcas" que insistem em nos fazer carregar. O problema, também, é que no Brasil parece haver uma tendência a resolver problemas atacando as consequências e não as causas... Por que em vez de "ensinar" a mulher a se "proteger" de estupros, os homens não são ensinados a não estuprar? Por que em vez de sermos orientados a viver em alerta constante contra assaltos, não buscam meios eficazes de educar a população a não assaltar? Por que em vez de criarem cotas nas universidades para corrigir deficiências no ensino fundamental e a eterna "dívida social" com os negros, não corrigem o mal em sua origem, proporcionando educação de qualidade e pondo fim aos preconceitos para que todos, indistintamente, possam ter as mesmas oportunidades? São muitas as indagações e a discussão é longa, mas deixo aqui as reflexões. O certo é que pesquisas como essa confirmam que vivemos em uma sociedade doente. Que possamos contribuir com sua cura. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O nazismo sob o olhar de meninos



"O menino do pijama listrado" e "A menina que roubava livros". Duas histórias cujos personagens ficarão eternamente guardados em meu coração. Na contramão do que tenho por hábito fazer, vi os filmes antes de ler os livros (o que será minha ocupação nos próximos dias) e fiquei encantada. Ambas as narrativas apresentam algo em comum: o nazismo, o holocausto, Hitler. Por isso, já dá para imaginar que se tratam de histórias tristes. Sim, tristes, porque não há como reviver o massacre dos judeus sem se entristecer com o maldade humana. Não é à toa que o narrador de A menina, bem adequado ao contexto da obra, a Morte, afirma achar os humanos assustadores por unirem em si o bem e o mal. Sempre que me deparo com histórias sobre o extermínio dos judeus em prol de uma raça ariana ou por acharem que os judeus delataram Cristo ou outras justificativas que em nada explicam tanto sangue derramado, sinto uma dor profunda ao constatar o mal que a imposição das religiões, ideologias, radicalismos causou e ainda causa ao mundo. Tenho uma base de formação cristã, mas respeito quem não crê ou tem outras ideologias, pois a verdade sobre o mundo, sobre Deus e todas as coisas deve ser um grande mistério que ninguém conhece ou tem autoridade para impor. É insano matar pessoas por não seguirem certos preceitos. Ver tudo isso representado nas telas toca na alma. Mas em O menino e A menina o que mais me tocou foi ver a representação da inocência infantil que dá mais valor à amizade em detrimento aos interesses escusos nazistas. Duas lindas histórias e depois de ser tocada por elas, um desejo cresceu ainda mais em mim: que os seres humanos possam se ver apenas como tais, livres de guerras, de imposição de crenças, de discriminação entre raças e credos. Um mundo livre.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Quero serenar

Ah, que saudades senti hoje de trabalhar com as palavras e suas infinitas possibilidades. Saudosos estudos literários... Quando penso que há tanto a ver nos entremeios das palavras, na arte, na poesia, nos devaneios bons que se seguem a uma boa leitura, reflito se fiz a melhor escolha ao trabalhar na área de gestão de pessoas. Oh, pessoas e suas heterogeneidades... Como é difícil gerenciar conflitos e lidar com atitudes tão díspares de nossos pensamentos e posturas. Hoje realmente senti saudades de sentar na frente de meus alunos em semicírculo, abrir um livro, viajar com eles para um vasto campo de possibilidades, trocar ideias, interpretações e novas escritas sob o ponto de vista de cada um. Leonardo Boff disse que "cada ponto de vista é a vista de um ponto" e tinha toda a razão. Preciso serenar...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Oscar


O Oscar se aproxima e sempre que divulgam a lista dos indicados, boa parte dos filmes ainda não havia entrado em cartaz na minha cidade, então os cinemas passam a exibi-los e corro atrás do máximo possível para avaliar quem merece o prêmio. Nessa corrida maluca e com o tempo desorganizadíssimo, consegui ver a a atuação de Meryl Streep em "Álbum de família" e de Leonardo DiCaprio em "O lobo de Wall Street". Embora ainda não tenha visto as demais atuações, se os dois ganharem na categoria melhor atriz e ator, bato palmas para a Academia, pois as atuações de ambos foram irretocáveis. Meryl Streep sempre reluz em cena e mais uma vez recebeu a indicação com louvor. DiCaprio mostrou um amadurecimento profissional espetacular, sua atuação é convincente e consegue prender a atenção durante as 3 longas horas de filme. Acredito que seja um candidato forte este ano a levar a estatueta. Tiro o chapéu também para o diretor Martin Scorsese, que dirigiu o Lobo e  mostrou que o tempo não o fez perder o talento. Quanto aos filmes, Álbum não concorre a melhor filme, talvez por apresentar uma temática já corriqueira no cinema sobre os problemas que envolvem uma família, com segredos revelados, mágoas guardadas, traições entre outros temas que rondam ambientes familiares problemáticos. Já o Lobo traz para as telas um tema inortodoxo, regado a dinheiro, sexo, drogas e poder. Resgata uma época norte-americana dos poderosos de Wall Street e a ambição que cerca o mundo dos negócios e vendas de ações fraudulentas, com cenas hiperbólicas, por vezes até caricatas, mas que apresentam uma ironia sutil como pano de fundo, com um desfecho que sugere que tiremos nossas próprias conclusões sobre a trama.

sábado, 18 de janeiro de 2014

A vida é bela e cada um cuide da sua


"Viver e não ter a vergonha de ser feliz": meu lema, eternamente, amém. Acho curioso como há tanta gente que vive pela opinião dos outros, por isso esse tema tem sido recorrente por aqui. Já vi tanta gente deixar de viver ao seu modo por temer o julgamento alheio, por não ter coragem de ir de encontro ao que sabe Deus quem estabeleceu como o socialmente aceito, e perder a oportunidade de se sentir de bem com a própria vida. Eu não, infinitamente não! Quero ter o prazer de dizer sempre que fiz da minha vida o que meus instintos mandaram, que tomei decisões por conta própria, que vivi experiências que me fizeram bem ao coração, que não perdi parte dos meus dias pensando no que deveria ter feito, simplesmente fiz. Quero ter a tranquilidade de passar noites tranquilas sem amargurar qualquer mínima coisa que eu tenha feito somente porque Fulano, Sicrano ou Beltrano assim pensam ou por receio de críticas. Amo minha liberdade de escolha e prezo muito por isso. Não causando mal a ninguém, quero viver como eterna aprendiz como diz a velha canção de Gonzaguinha do início desta postagem. Deixo um trechinho dela aqui, como um hino do meu estado de espírito. A vida é bela... e cada um cuide da sua! 

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

Imagem da Ilha de Boipeba, da minha linda Bahia, terra amada e com seus defeitos, mas sempre cheia de encantos e de natureza abençoada por Deus.



domingo, 10 de novembro de 2013

Como estrelas na terra

"Como estrelas na terra: toda criança é especial". Título de um filme indiano de 2007/2008, que retrata a história de um garoto com dificuldades de aprendizado, indisciplinado, incompreendido pelos pais e professores, por ter dislexia, problema que só é descoberto pela sensibilidade de um professor de Artes, que consegue perceber o que tem de especial no garoto, este que tem uma criatividade incrível. Uma história comovente que vale a pena ser assistida e sentida, especialmente por educadores, que convivem com diversidades tão grandes em sala de aula. Resumi o filme nessas breves linhas, mas a narrativa vai muito além dessas palavras e recomendo fortemente que todos assistam. Ontem, depois de uma tentativa frustrada de assistir a "O mordomo da Casa Branca" no cinema, resolvi ver em casa um filme que há muito tempo estava guardado em um pendrive e que maravilhoso presente! A história é de uma delicadeza espetacular e me levou a pensar em como realmente precisamos perceber as nuances das coisas e desenvolver nosso olhar caleidoscópico sobre as pessoas. Eu sou professora por formação e apesar de estar distante do ambiente escolar hoje, o filme me tocou como educadora que já fui um dia. O ator que interpreta a personagem Ishaan, o garoto com dislexia, não deixa a dever a nenhum ator hollywoodiano, segura bem o papel de um filme longo e com uma carga emocional tão grande, que é digno de um Oscar. O diretor do filme e ator que interpreta o professor Ram Nikumbh, personagem que assim como Ishaan teve problemas de aprendizado na infância, também não deixa a desejar. Seus nomes são Darsheel Safary e Aamir Khan. Uma salva de palmas para ambos! Por alguns momentos, o filme me fez lembrar de outro maravilhoso interpretado por Robin Williams - "Patch Adams: o amor é contagioso", porque os dois filmes têm uma característica em comum, de nos fazer refletir sobre a generosidade humana e a importância de respeitar as particularidades de cada um. O professor, ou melhor, o educador Ram Nikumbh conseguiu ver além e com sua metodologia de ensino motivacional, disponibilidade de ajudar e entender o outro, foi capaz de promover uma transformação maravilhosa em uma criança que se mostrou uma estrela na terra, com o dom especialíssimo da pintura. É a arte transformando a vida, pura magia. Emoção à flor da pele! 

domingo, 13 de outubro de 2013

Aquarela dos meus sonhos


"Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo / E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo / Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva / E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva / Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel / Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu / Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul / Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul / Pinto um barco a vela brando navegando / É tanto céu e mar num beijo azul..." 
 Na praça de Sultanahmet, em frente à Mesquita Azul

Ah, Toquinho, se soubesse quantas fantasias criei em torno dessa linda canção na minha infância... E que lugar tão distante cheio de castelos imaginava ser Istambul... Um lugar mágico que fez parte do meu imaginário infantil e renasceu este ano com tanta força que por uma série de motivos me atraiu para aquele lugar. Enfim, conheci Istambul e não somente essa cidade encantadora, mas também outros belos lugares da Turquia. As experiências que vivi foram tão especiais que guardarei eternamente em meu coração. Um lugar que sempre pareceu tão distante e de repente vi diante dos meus olhos com todo seu esplendor, sua magia, seus encantos.

Mergulhei nos livros de História e Geografia, atravessei a ponte do Bósforo, estive com um pé na Ásia e outro na Europa em poucos minutos, vivenciei a comunicação em vários idiomas, experimentei vários sabores, cores, sons, voei a mais de 800 metros de altitude num balão mágico! Incrível! Fantástico! Maravilhoso! Sensacional! Coisa de Deus! Não há palavras para descrever a magia que vivi naquele momento.

Passamos 10 dias na Turquia e não deu para conhecer tudo que gostaríamos (meu noivo e eu), mas nossa programação foi intensa! Do que visitamos, deixo aqui alguns relatos para ajudar aqueles que queiram conhecer:

Hotéis em Istambul: Os melhores em termos de proximidade dos principais pontos turísticos ficam na área de Sultanahmet, mas nosso pacote de viagem incluía um hotel mais afastado, o Titanic Business Bayrampasa. Não recomendo por ser afastado e não ter nada de interessante ao redor, mas se quiserem conforto, café da manhã farto, piscina aquecida, SPA... esse é o hotel ideal.

Dinheiro: A moeda local é a lira turca e não pense em levar reais brasileiros para trocar por lá, porque não encontram. Trocamos reais por euros aqui e lá trocamos de novo pela lira turca. Há várias casas de câmbio nas áreas turísticas e alguns passeios podem ser pagos em euros ou dólares. Optamos por usar somente o dinheiro local, com exceção do balão, que pagamos em euros (150 euros. Caro, mas muito bem pagos). Atualmente, a lira turca equivale a quase o mesmo valor do real.

Costumes: Vi gente de todo tipo, como diria minha vó, mas é notório que os costumes de lá são diferentes dos brasileiros. As mulheres se vestem de forma mais recatada de um modo geral, mas não são todas que cobrem os cabelos com lenços, pelo menos na área mais cosmopolita onde ficamos. Mas também vimos algumas mulheres de burca que nem os olhos colocavam para fora. Não consigo entender como uma mulher pode se submeter a essas tradições, religiões ou sei lá o quê, mas cada qual com seu cada qual... Várias vezes ao dia ouvimos um chamamento para rezar vindo das mesquitas, muito emblemático do local. Acho que vou ouvir aquele som sempre que me lembrar da Turquia. 

Guias: Em Istambul seguimos sem guias turísticos e dá para fazer isso perfeitamente, basta saber falar inglês que dá para se virar. Eu que não tenho fluência, mas entendo bem a língua e falo razoavelmente me virei sem maiores dificuldades. Digo isso porque falar turco é bem mais complexo, mas ainda assim, levei um guia de sobrevivência e arranhei alguma coisinha bem elementar. Fora de Istambul, tínhamos acertado pela agência de viagens um guia em espanhol e como eu também já estudei essa língua, foi supertranquila a comunicação. Encontrei muitos turistas brasileiros por lá e guias que falavam português também. Na falta de guia, GPS é bem útil para ajudar na localização. Nas atrações turísticas existem os audioguias. Basta colocar o fone de ouvido, escolher sua língua e um abraço. A maioria não tem a opção em português, mas espanhol e inglês sempre se encontra.

Alimentação: De um modo geral, gostei das comidas. Meu noivo que é cheio de restrições alimentares que não gostou muito. Os preços são razoáveis, os doces diferentes e açucarados (não usam leite condensado), vendem na rua muito suco de romã, castanhas, nozes, pistaches. Carne de carneiro por todos os lados nos kebaps. Comi um delicioso com molho de iogurte. As pizzas e pães também são gostosos. Não experimentei coisas muito diferentes, algumas pareciam bem gordurosas e não quis arriscar demais.

Transportes: Não usamos transportes públicos, mas pelo que vi são todos integrados, bondes, ônibus, trens. O trânsito é meio conturbado, com muitos engarrafamentos, até dia de domingo, mas não se compara ao caos da cidade onde moro. Pegamos alguns táxis e só tivemos problemas com um taxista que descaradamente adulterou o taxímetro, mas deve ser um pobre de espírito e isso não nos abalou. Depois disso, só pegamos em pontos de táxi ou na frente do hotel e correu tudo bem. Eles não falam inglês e a comunicação tinha que ser em turco ou mímicas, mas eu desenvolvi a técnica de escrever em um papel para onde queríamos ir, dizer gentilmente lütfen (por favor) e mostrar ao taxista o destino. Pronto, ele já sabia que não falávamos turco e seguia sem muitos papos até o destino. Alguns perguntavam de onde éramos, em turco misturado com inglês e quando descobriam que éramos brasileiros, falavam logo de futebol e de um jogador chamado Alex, do time Coritiba. Como não curtimos futebol, ficávamos “boiando” na conversa. Depois meu pai falou que ele jogou pelo Fenerbahçe, time turco. Parece que idolatram a criatura pela forma como falavam dele. No comércio também ouvimos muito o nome dele. Os turcos são loucos por futebol, fato. Um vendedor no Grand Bazaar nos mostrou todo eufórico uma foto dele com Taffarel, nosso ex-goleiro da seleção brasileira.

Passeios: Em Istambul, à noite, nosso destino certo era a rua Istiklal, para os turcos Istiklal Caddesi. Uma rua de cerca de 2 km que desembocava na praça Taksim, que tanto foi falada este ano por causa das manifestações antigoverno ocorridas há alguns meses. A Istiklal tem movimento dia e noite, de domingo a domingo, com muitas lojas, restaurantes, tudo! Nas transversais também encontramos movimento. Não sei descrever ao certo o que me atraiu nesse lugar, mas o certo é que “batemos ponto” lá quase todas as noites em Istambul. Em Sultanahmet, visitamos a Mesquita Azul, uma das mais emblemáticas, e a Aya Sofia, que ficam uma de frente para a outra. Lindas! Trabalhos artísticos divinos nos tetos, azulejos belíssimos, história riquíssima. Na mesquita, tivemos que entrar descalços e as mulheres com as cabeças cobertas. A Aya Sofia já foi mesquita, já foi igreja e hoje é um museu. Entrada: 25 liras turcas. Também passamos pelo antigo Hipódromo. Não deu tempo de visitarmos as Cisternas da Basílica, que ficavam a poucos metros, pois preferimos pegar um ônibus para fazer um city tour e atravessar o estreito de Bósforo para a parte asiática de Istambul, o que nos deu um bom norte da localização de todos os lugares que ainda pretendíamos visitar. Pegamos o ônibus na praça de Sultanahmet, o passeio durou cerca de 2 horas. Não me recordo quanto pagamos.

Istiklal Kaddesi


 Aya Sofia

Estreito de Bósforo


Ainda em Istambul, conhecemos o Palácio Topkapi e seu harém, que nos custou 25 liras + 15 liras do harém. Nesse palácio viviam os sultões e há muita riqueza exposta lá dentro. Fiquei apaixonada pelos tetos, vitrais e azulejos. Trabalhos belíssimos que resistem há séculos. Espetacular! Queríamos ir também ao Palácio Dolmabahçe, mas as filas para entrar eram muito grandes, tudo demorava demais e deixamos para outra oportunidade. Imagino na alta estação como deve ser nesses lugares, haja turistas de todas as partes do mundo. Então, ficamos no Topkapi mais um tempo e desfrutamos de um delicioso almoço dos deuses no restaurante Konyali com vista para o mar de Mármara. Lindíssimo lugar! Comida de primeira qualidade! Nos sentimos como os sultões!

Entrada do Palácio Topkapi

Vista do restaurante Konyali

Um dos tetos do Harém

Comprinhas também são bem-vindas, então fomos conhecer o Grand Bazaar e o Mercado de Especiarias ou Bazar Egípcio caminhando (com disposição dá para ir tranquilamente). Há de tudo um pouco nesses mercados, vendedores que falam todos os idiomas para captar os clientes, você se perde no meio de tantas coisas. Quem gosta de fazer umas comprinhas, são lugares indispensáveis para ir. Na saída de um desses mercados, visitamos a Mesquita Nova, mas eu não pude ficar muito tempo lá dentro, porque o lenço que coloquei na cabeça estava escorregando e fui convidada a me retirar do recinto... Nas mesquitas, há um lugar reservado no fundo para as mulheres rezarem, não podem se misturar aos homens. Ser mulher é para fortes, ainda mais nesse lugar...

Bazar Egípcio

A Torre de Gálata tem uma das melhores vistas da cidade e não poderia faltar em nosso roteiro. Istambul em 360°. Para subir, mais fila e 13 liras turcas. A vista de lá é magnífica, dá para ver a ponte de Gálata, onde é comum ver homens pescando, a ponte do Bósforo, algumas mesquitas, o lado europeu e o lado asiático da cidade. Na torre eu me vi na música de Toquinho, pois havia algumas gaivotas a voar no céu... Lindo! Uma pousou bem pertinho de mim...


 Gaivota na Torre de Gálata

Como meu parceiro de viagem é vidrado em shopping, fomos conhecer o Cevahir, que já foi considerado o segundo maior da Europa, pelo menos li isso em algum lugar. Um shopping como outro qualquer, lotado, não tinha lugar nem para sentarmos em uma das praças de alimentação. Encontramos até uma C&A por lá e se não soubesse que estava na Turquia, me sentiria em casa totalmente, quer dizer, nem tanto, porque as roupas tinham modelos um tantinho diferentes dos nossos, meio cafonas, diria. Para entrar no shopping passamos por detector de metais. Nunca tinha passado por essa situação em um shopping. Talvez eles tenham receios de ataques terroristas, mas achei bem válido. Poderia ser adotado no Brasil.


Cevahir Shopping

O post já está imenso e ainda nem saí de Istambul! Vamos à Esmirna, Éfeso e Pamukkale. Saímos de Istambul a Esmirna, onde visitamos as ruínas da antiga cidade de Éfeso. No caminho, conhecemos o Templo da deusa Artemis. Quando entrei em Éfeso me senti nos livros de História, parece que entrei na máquina do tempo. Vimos o Templo de Adriano e seu suntuoso teatro, a Biblioteca de Celso e muito mais. Curiosamente em Éfeso encontramos muitos gatos, aliás, há gatos em toda a Turquia pelo visto e os encontramos nos lugares mais inusitados. Depois desse mergulho na História, conhecemos o lugar que mais me encantou durante toda a viagem: Pamukkale, o castelo de algodão. Que lugar abençoado por Deus! Pedras calcárias, branquinhas, com deliciosas cascatas de águas termais. Fiquei fascinada por esse lugar! Vi o sol se por em Hierápoles, cidade balneária romana edificada sobre as cascatas. Dizem que lá há a maior necrópole do mundo antigo, mas a beleza de Pamukkale me prendeu tanto a atenção que não segui a guia para a necrópole.

Entrada de Éfeso

"Guardião" de Éfeso

Pamukkale

Passamos uma noite em Esmirna, num hotel top de linha, mas estavávamos tão cansados (pegamos muita estrada para visitar esses lugares) que nem memorizei o nome do hotel. Só me lembro que estava repleto de orientais! rs 

De lá, seguimos a Konya, no centro da Anatólia (parte asiática da Turquia). É uma cidade bem interessante, organizada, com várias casas com aquecimento solar e parecem ter boa qualidade de vida. Lá conhecemos a filosofia de Mevlana, filósofo místico que difundiu o sufismo e criou a ordem dos Derviches rodopiantes. Vimos uma apresentação dos Derviches em Istambul. Eles reproduzem uma dança na qual rodam em torno de si. Pelo que pude entender, os derviches são como monges, que seguem uma filosofia de abnegação e praticam com a dança rodopiante uma espécie de ritual. No Museu de Mevlana, conhecemos um pouco de sua história e visitamos sua tumba, pena que não pode ser fotografada.

Museu de Mevlana

A caminho da Capadócia, conhecemos uma cidade subterrânea com habitações trogloditas com profundidade de 45 metros. Na região de Konya e Capadócia, ficamos hospedados no Dinler Hotel, também de excelente qualidade. Na Capadócia, o melhor estava por vir... O voo de balão! Assim como quando fui a Rio de Janeiro, tinha o propósito de voar de asa-delta, na Capadócia, voltaria frustrada se não tivesse conseguido voar de balão. E voei, bem alto, com uma paisagem deslumbrante. Os balões formaram uma aquarela diante dos meus olhos, a aquarela cantada por Toquinho materializada bem ali. Fiquei anestesiada de emoção.

Entrada da cidade subterrânea

Vista do balão: aquarela dos meus sonhos!

Um brinde à felicidade!


Na Capadócia, nos divertimos muito no Vale do Goreme, onde conhecemos igrejas escavadas nas rochas, com afrescos ainda preservados, mas que não podíamos fotografar. ‘Roubei” uma foto deles meio apagadinha que parecia ser o desenho de São Jorge. Havia muitos brasileiros visitando o lugar, me senti em casa. Eu não vi um capítulo sequer da novela Salve Jorge, mas certamente as viagens ao local foram impulsionadas por causa da novela. Muita gente me pergunta se o que me motivou foi isso, mas meu caso de amor com esse lugar é antigo. A “culpa” é de Toquinho.rs

São Jorge

Vale do Goreme


A região é linda, as formações rochosas são um espetáculo à parte. Visitei também o Vale Çavusin, Pasabag, onde vi o que é conhecido chaminés de fadas, pois as formações rochosas lembram cogumelos. Por momentos eu vi as casinhas dos Smurfs. Momentos de infância em grau máximo. rs

"Casa dos Smurfs"


Ainda conhecemos o trabalho de artesãs locais em uma oficina onde fabricam os famosos e caríssimos tapetes turcos. São lindíssimos, mas os valores são bem salgados! Visitamos também um local onde vendem couro e jóias. 

Momentos mágicos, eternizados na memória. Aquarela dos meus sonhos!

Proteção!

Güle güle!

Nosso retorno para casa foi bastante desgastante, com direito a atraso de voo, perda de conexão, passar a noite em Londres, seguir em outra companhia aérea para Lisboa e de lá seguir para nosso lar, doce lar e descobrir que nossas malas não vieram conosco, o que gerou um certo estresse, mas boa parte do problema já foi solucionado e o que resta agora é agradecer a Deus pela oportunidade de ter vivido essa experiência maravilhosa. Teşekkür ederim!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Elysium, o "admirável mundo novo"

Quando li a sinopse do filme Elysium, não pude deixar de me lembrar do livro Admirável mundo novo. Sempre ele. Guardadas as devidas proporções, poderíamos fazer uma analogia entre as obras e considerar os habitantes de Elysium como o povo Alfa do livro de Huxley. Até a capa do livro me remete ao cartaz do filme, como podem ver aqui:




A essência das obras é mesmo semelhante, uma sociedade dividida em castas. A diferença é que em Elysium os humanos são conscientes dessas diferenças e muitos tentam passar para o outro lado, enquanto que na obra de Huxley, há uma indução para que as pessoas aceitem suas condições sociais.

A trama é envolvente, as personagens são multiculturais e vale a pena assistir. Saí do cinema com a sensação de que o mundo pode estar a caminho do futuro mostrado no filme, com a Terra exaurida de seus recursos, transformada em uma grande favela e a humanidade destroçada, sob o comando de uma minoria "alfa" que vive imune a todos os males. Mas, a grande sacada do filme, ao meu ver, foi mostrar como mesmo nesse mundo ideal construído em Elysium, sonho de consumo dos terráqueos, os interesses políticos emergem e podem ter consequências avassaladoras. Um golpe político ajuda a mudar os rumos da Terra e de Elysium. No final, temos um heroi que morre para "salvar" a humanidade, a mocinha do filme e todos os terráqueos com permissão para habitar o paraíso no espaço, novas pessoas no poder... E, quando se tem o poder nas mãos, já se pode imaginar os rumos dessa nova história... Só que isso renderia um novo filme.

Mas o melhor e que me enche de orgulho é ver a estreia de Wagner Moura no cinema hollywoodiano. Que maravilha é ver esse ATOR, bem assim com letras garrafais, brilhando nas telas como um dos protagonistas. Sim, ele não aparece como um mero coadjuvante, tem um importante papel na trama e não deixa a desejar. Esse baiano é retado mesmo!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Primavera


Flores combinam muito com o tema deste blog e a primavera chegou hoje para colorir meus dias, trazendo consigo tão esperadas férias. Para o primeiro dia de descanso do trabalho, me vesti um pouco de Amelie Poulain, curtindo as coisas simples da vida e apurando meu olhar caleidoscópico. Comprei livros novos e reparei que costumo fazer isso nessa estação. Sempre me pego presa a alguma leitura nessa época. A primavera é mesmo inspiradora! Cuidei das plantinhas que vivem comigo e desejei-lhes uma estação gloriosa, tomei sorvete de flocos na casquinha, fiz perguntas a mim mesma, tive conversas imaginárias, comprei um floral antiestresse, mas mais do que essas trivialidades e devaneios, dei um passo rumo à realização de mais um sonho, cuidei de outro sonho que se avizinha e tracei novos planos. Aprendi que o olhar que temos sobre nós mesmos pode ser mais exigente do que o olhar que os outros têm sobre nós. Confirmei que Leonardo Boff está certo: cada ponto de vista é a vista de um ponto. Parei um tempo na janela para observar a lua e como estava glamourosa! Cheia, em sua florescência máxima. Como nem tudo são flores, também li notícias sobre guerras e atentados terroristas, em nome de um deus distante do que quero crer. Ao final do dia, conclui que são tempos realmente difíceis para os sonhadores, cara Amelie, mas sempre há esperança e ninguém tira minha florescência. Hoje, abri-me em flor.

Comecei a escrever no primeiro dia da primavera e agora, prestes a postar, já entra o segundo dia. Que traga consigo novos aprendizados e florescências.

sábado, 7 de setembro de 2013

Porque hoje é 7 de setembro

 
Independência do Brasil... O Ipiranga já não tem margens tão plácidas. O povo heroico ecoa brados retumbantes? Talvez... Talvez sejamos heróis da resistência. Ó, pátria amada, nem sempre idolatrada, salve, salve! Que possamos levantar do berço esplêndido e usufruir dessa terra de natureza abençoada, que ela possa ser mais garrida, que nos dê glória e principalmente paz, no presente, onde a vida acontece, pois só assim construiremos um futuro do qual possamos nos orgulhar.