Hoje me lembrei de minha vó materna, que dizia sempre que
alguém mentia para ela: “Mente que nem se sente” ou “Besta é quem pensa que eu sou
besta”. Assim é a vida dos cientistas da mentira, mentem sem culpa, sem medo de
ser feliz! A arte de mentir é aprimorada a cada mentira, que de tão bem
articulada passa como verdade, às vezes até para o próprio mentiroso, que para
alimentar bem a mentira e fazê-la soar como verdade, enreda-se no próprio
ardil. Esquecem-se, contudo, que “pessoas mentem, evidências não”. Então, volto
a minha sábia e saudosa voinha, deixe o mentiroso praticar sua arte e pensar que
engana... Um dia a máscara cai e se não cair, deixe ele se envenenar em sua própria
teia de ardis, pois para tudo há a lei do retorno, que se encarrega de devolver
às pessoas aquilo que praticam, seja para o mal ou para o bem. Enquanto sustenta-se a mentira e criam-se novas e cada vez mais elaboradas, é menos desgastante para quem recebe a mentira fingir que acredita nela, e nisso também mente junto com o mentiroso mor, afinal, colocar à prova um mestre na arte de mentir pode causar problemas a quem levanta a bandeira da verdade, pois quanto mais bem feita a mentira, mais pessoas acreditam nela. Bem ao estilo de minha voinha, sempre astuta, que também dizia: "Só acredito para você não ficar triste, mas sei bem que não é verdade..." E assim se sustenta a ciência da mentira. É duro, mas é o que tem pra hoje! Socorro, parem esse mundo que eu quero descer!
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Casamento
Ao consultar alguns dicionários, encontrei palavras que representam o que é o casamento: contrato, cerimônia, ritual, matrimônio, associação, enlace, aliança, união. Busquei essas definições para tentar entender melhor o que é o meu relacionamento hoje com a pessoa que eu amo. Não somos casados formalmente como ditam os padrões sociais, não temos um contrato civil ou religioso, mas as últimas definições que citei, principalmente a união, me fazem sentir especialmente casada. Estado civil: solteira. Estado emocional: casada. Sim, casada, no seu sentido mais nobre, mais limpo, mais visceral. O que nós dois vivemos e dividimos é muito mais válido, mais sincero e intenso do que muitos vivem em seus casamentos formais, sem dúvidas. Nosso "contrato" é o nosso amor e mesmo que venhamos algum dia a formalizar nossa união perante a sociedade que tanto nos cobra seguir seus padrões, não quero jamais perder de vista o nosso casamento informal, que é somente nosso e já guarda tantos bons e maravilhosos momentos.
Por que sempre somos cobrados? Por que temos que seguir padrões? Queremos ser livres e felizes, casados de coração.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Da vida e da morte
E quando no meio de incertezas que são inerentes à vida, decide-se ir ao encontro da maior certeza que ela nos dá? Morte, quando tudo termina ou recomeça. Morte morrida ou matada, seja como for, tem um peso que se torna ainda maior quando é você próprio que busca o encontro fatídico com ela. As dores da alma, os desequilíbrios emocionais, as depressões, as angústias e as síndromes psicológicas são o mal do século. A busca incessante por não se sabe exatamente o quê, perguntas que não encontram respostas, lacunas que se abrem dentro de si e não conseguem ser preenchidas. Almas adoecidas são as mais difíceis de encontrar cura. O que se passa na cabeça de um suicida? Esta semana um colega de trabalho e de colégio se foi, jogou-se do prédio onde morava na frente da mãe e da avó. Tinha pouco contato com ele, mas imaginar essa cena me tocou profundamente. Por quê? Não há respostas lógicas para essa pergunta.O sócio de meu sogro também suicidou-se dentro do escritório, com uma corda amarrada no pescoço, se não me falha a memória. A forma pode não ter sido exatamente essa, mas o fato é que deu fim à própria vida. Por quê? Outros casos tenho ouvido falar e me entristeço. Esta é uma postagem triste, de verdade, por perceber que as pessoas estão perdendo o viço de suas flores...
Quanto a mim: da vida, quero um jardim florido, da morte, recomeços, mas que seja leve e bem longe, para que eu possa cultivar bem o meu jardim.
Quanto a mim: da vida, quero um jardim florido, da morte, recomeços, mas que seja leve e bem longe, para que eu possa cultivar bem o meu jardim.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Olhar caleidoscópico
Das
aulas de latim, já não me lembro de quase nada, mas há uma frase da qual
sempre me recordo: "Vita pulchra est", ou seja, a vida é bela. Apesar
das mazelas do mundo que por muitas vezes me assustam e desanimam, tenho
desenvolvido um olhar caleidoscópico, que me faz ver matizes e nuances
em cada movimento, que me faz ter felicidade com as coisas mais simples e
me agarrar com força aos meus sonhos. Caleidoscopicamente sigo olhando
para os lados, todos eles, tentando montar o quebra-cabeça da vida com
as peças que realmente se encaixam. "Vita pulchra est!"
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
O grito
Você adia seus sonhos em nome de quê? De uma sociedade que cospe na sua cara
todos os dias? O momento ideal existe? O que é ideal? Por que postergamos cada
vez mais nossos desejos? Em nome de quê? Que idealizações são essas que se
convertem em sacrifícios? Será que vale a pena seguir a ditadura da sociedade? Se
nosso tempo é escasso e sempre o usamos como desculpa, em que momento a vida
vai acontecer? A rotina mecanizada que vive é suficiente para você? Por que a
vida profissional tende a oprimir a pessoal? O relógio de ponto vale mais que o
relógio biológico? Por que certas conveniências sociais são tão determinantes? Felicidade pode custar tão
pouco, mas a dimensão das coisas é maior quando se tem outros a lhe apontar o
dedo e julgar. Ainda mais doloroso quando seu maior algoz é você mesmo. Eu já consigo ver com olhos livres e entender
que o ideal é um construto social que tem um grande poder de opressão, quando
mal compreendido. Que todos possam ver com esses olhos e se abrir a outras
possibilidades. Porque o ideal muitas
vezes é inatingível ou mutável e a vida passa tão rápido que não devemos ter medo de dar
um passo à frente. A vida acontece no presente. Não postergue tanto. O amanhã é
incerto e se ficarmos sempre esperando por ele em um modelo ideal sacramentado
pela sociedade, poderemos nos desiludir.
É preciso ter coragem para arriscar, em tudo. Viva, sonhe e realize.
Grite, sempre que a sociedade cuspir em você a sua ditadura opressora. Grite.
Grite! Grite!!! Griiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiite!!!terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Muda

Se não todos, quase todos os animais trocam de pele. Nós, humanos, também passamos por essa renovação, mesmo que de forma imperceptível, indolor. Flores murcham, secam, reflorescem. Plantas são podadas, arrancam-se algumas mudas para que cresçam novamente, tanto o que foi arrancado, como o que lá ficou. Assim também nós andamos a fazer nossas próprias mudas.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Pi
Piscine Molitor Patel e Richard Parker. Personagens que não me saem da mente. A lista de indicados ao Oscar de melhor filme foi divulgada e eu, que não tinha despertado interesse em assistir "Life of Pi", traduzido para português como "As aventuras de Pi", corri atrás para ver o que tinha de interessante na obra para concorrer ao Oscar e gostei do que vi. Gosto de filmes que de alguma forma mexem comigo ao ponto de não acabarem quando terminam (desculpem a redundância) e senti o filme assim. Não me aterei a detalhes técnicos, até porque sou péssima nisso e me prendo à história ou estória, como queiram, mais do que a qualquer outra coisa, mas mesmo leiga, para um filme produzido boa parte do tempo em estúdio, com o tigre, personagem Richard Parker, quase na totalidade das cenas digitalizado, o filme é impecável e muito real. Vi a versão em 3D e os que entendem dizem que é um 3D muito bem aplicado. Confesso que tenho algumas ressalvas quanto a isso, mas acho que sou mesmo "desentendida" e me reservo a não comentar a respeito.
Também não resumirei a narrativa, mas apenas deixarei aqui o que me fez pensar a partir de seu desfecho. "Se não existisse Deus, seria preciso inventar um". Não é uma frase dita no filme, mas que está nos entremeios da narrativa. Ele existe? Assim começou o filme e a resposta final, ao meu ver, foi que Deus é como você o pinta. Independentemente de religiões, Deus é uma escolha. Qual história de Deus você prefere?
É assim com a vida de Pi, adolescente que sobrevive a um naufrágio, perde toda sua família e nos conta uma brava história de coragem e fé vivida por quase um ano no oceano, na companhia de um tigre, senhor Richard Parker. Ou não... Quase ao final do filme ele nos apresenta uma outra versão da história. Qual você prefere? Assista e faça a sua escolha. "Assim também é com Deus".
domingo, 26 de agosto de 2012
A casa da minha alma
Este blog surgiu da vontade que tive um dia de estudar a literatura que poderia surgir de blogs. Vontade que passou ou pelo menos adormeceu. Tornou-se a casa da minha alma, espaço de refúgio. É para cá que corro quando as palavras saltitam de mim, quando sinto necessidade de gravar no mundo o que brota. Hoje, bateu essa vontade de gravar que após um tempo de motivação profissional, mais uma vez a incompletude bate à porta. É verdade, abriu-se a lacuna outra vez. Sigo apoiada na força de Deus. Amém!
segunda-feira, 23 de julho de 2012
À margem
Para os que estão à margem, estigmas, rótulos, marcas.
Aprendi na faculdade que ser marginal não é apenas ser bandido, mas também pode significar estar à margem da sociedade. Nesta posição estão os menos favorecidos socialmente e os mais rotulados, seja pela cor da pele, por questões de gênero, por padrões estéticos... E até nossa naturalidade estigmatiza. Em um reality show que está atualmente no ar, somente um participante carrega uma alcunha dada por seus colegas: baiano ou Bahia. Porque é natural da Bahia, porque tem um sotaque diferente dos demais, porque os que não estão à margem sentem prazer em rotular, em roubar do outro o seu nome próprio para marcá-lo como se tivesse que carregar uma bandeira da marginalidade. Perceber isso me incomoda profundamente. Só quem carrega suas "bandeiras" para sentir o que é ter a identidade como um peso que lhe mostra que você é socialmente um marginal. E aqui a língua fere, pois a mesma palavra que traz o peso da malandragem em si, também serve para representar categorias sociais que precisam ser vistas e recebidas sem estigmas. Quando conseguirmos não mais marcar as pessoas, o mundo terá subido um degrau para a evolução da mente humana. Espero viver o suficiente para ver esse dia chegar. Será?
Aprendi na faculdade que ser marginal não é apenas ser bandido, mas também pode significar estar à margem da sociedade. Nesta posição estão os menos favorecidos socialmente e os mais rotulados, seja pela cor da pele, por questões de gênero, por padrões estéticos... E até nossa naturalidade estigmatiza. Em um reality show que está atualmente no ar, somente um participante carrega uma alcunha dada por seus colegas: baiano ou Bahia. Porque é natural da Bahia, porque tem um sotaque diferente dos demais, porque os que não estão à margem sentem prazer em rotular, em roubar do outro o seu nome próprio para marcá-lo como se tivesse que carregar uma bandeira da marginalidade. Perceber isso me incomoda profundamente. Só quem carrega suas "bandeiras" para sentir o que é ter a identidade como um peso que lhe mostra que você é socialmente um marginal. E aqui a língua fere, pois a mesma palavra que traz o peso da malandragem em si, também serve para representar categorias sociais que precisam ser vistas e recebidas sem estigmas. Quando conseguirmos não mais marcar as pessoas, o mundo terá subido um degrau para a evolução da mente humana. Espero viver o suficiente para ver esse dia chegar. Será?
terça-feira, 10 de julho de 2012
Notívaga
"Melhor a verdade que dói do que a mentira que produz falso alívio". Difícil conviver com a dúvida, mas o que fazer com a verdade? Seja qual for, que seja o seu melhor destino. A verdade ou a mentira podem causar dor, mas a dúvida corrói a alma. Notívaga, segue noite adentro em busca de paz de espírito.
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