segunda-feira, 2 de abril de 2012

A esmo

Quero escrever, mas hoje me faltam as palavras, então escrevo a esmo para saciar a vontade. E me vem à mente uma frase que li e guardei de uma escritora que muito contribuiu em minha vida quando estudei com ela: "Existir é apenas uma sucessão de deslocamentos". Deslocada nesta vida me sinto todos os dias. Não são raras as vezes em que afirmo e reafirmo que não combino com este mundo e hoje, mais um vez, repito. Parece um disco arranhado de vitrola antiga, mas não há jeito. Não combino. Por mais que tente, ainda não consigo não me surpreender com atitudes torpes. Deslocada, sempre deslocada, sigo. E a sociedade, como um algoz, segue a nos açoitar com suas cobranças, com seus estereótipos que me irritam e sua imensa dificuldade, ainda, de entender e aceitar que mulheres podem ser independentes e andar com as próprias pernas. Julgam o tempo inteiro em pleno século XXI. Se tivesse nascido em outra conjuntura, que triste fim não teria, meu Deus, ao me rebelar contra os estigmas. Alguns cedem, até adoecem, mas eu insisto em ser eu mesma e por vezes pago um preço alto por isso. A sorte é que sou abençoada pelo espírito esportivo que volta e meia me salva de situações difíceis. Dia desses fui apresentada a um texto sobre inteligência social, mas cá pra nós, a vontade que se tem muitas vezes é de ligar o foda-se (desculpem-me pela expressão chula) e simplesmente ser feliz à nossa moda. É, esse não saber o que escrever já me rendeu algumas reflexivas linhas.


Sou avessa aos padrões e adepta aos desafios, por isso essa permanente sensação de deslocamento, por isso essa vontade infindável de um sei lá o quê que me traz aqui a me refugiar nas palavras para acalmar meus instintos.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sobre mulheres

Outro dia trouxe ao blog Adélia Prado para afirmar que mulher é desdobrável. Depois de ler "A cidade do sol", de Khaled Hosseini, esse desdobramento fica ainda mais latente. Sim, mulheres são completamente desdobráveis e as mulheres dessa história comovente trazem ao leitor o arrepio da ponta dos dedos até o último fio de cabelo. Hosseini já tinha me impressionado em "O caçador de pipas" e só fez reafirmar sua competência em emocionar o leitor, sempre trazendo como pano de fundo das relações humanas, o que ele faz com maestria, a cultura do Afeganistão e o sofrimento causado pela guerra. Ser mulher em todas as culturas é um desafio, mas ser mulher em meio ao regime talibã, transcende ao desafio. As personagens Mariam e Laila são um retrato de mulheres que conheceram em toda a plenitude o que é ser desdobrável. E para além das personagens, certamente existem milhares de mulheres com o sofrimento, abnegação e até mesmo apagamento de si mesmas impregnados na alma, mulheres "como rocha no leito de um rio", mulheres inesquecíveis.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mar e paz

Caminhada na areia, banho de sol e de mar, água de coco, doce sabor de paz. Ficaria por horas a fio em êxtase contemplando o horizonte infinito, sem nenhum compromisso. Preciso priorizar momentos assim. Ano indo embora e eu à espera de milagres. A água do mar está branda e alcança os pés num friozinho gostoso. Pessoas caminham, correm, exercitam-se ou simplesmente observam o mar e seus encantos. Onda vem e vai. Que leve embora os males deste mundo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Dádiva

Sem fazer força, sem bajular, sem perder a ética. Agradeço a Deus por sempre guiar minha vida para conquistas por mérito. Sempre. OBRIGADA. Agradeço por ser rica de amor, por ter uma mãe espetacular, por ter um companheiro com retidão de caráter, por ter família e amigos pelos quais nutro grande admiração, a qual é mútua, por ter um pai que, mesmo a sua maneira torta, contribuiu para minha formação como gente. O reconhecimento é uma dádiva. É muito gratificante olhar para trás e perceber o quanto avancei nos últimos anos, avanços que podem parecer pequenos aos olhos de alguns, mas que para mim são imensuráveis. E tanto ainda tenho a conquistar e entender... É engraçado quando vamos amadurecendo e descobrimos como nossas concepções mudam e como somos exigidos a exercitar a resiliência. Com o tempo, tenho me tornado mais sensível às relações humanas e encontrado mais felicidade nas pequenas coisas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Com licença poética

Hoje trouxe Adélia Prado para florir meu jardim.


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.





domingo, 27 de novembro de 2011

Advento

Domingo de início do advento. Dia de arrumar a árvore de Natal. Sempre soube o dia certo de desarrumar a árvore, dia de Reis, 6 de janeiro, mas o dia de montar, realmente não conhecia. Não sei ao certo a simbologia do advento para a Igreja, mas certo é que advento está ligado a princípio e sempre que monto a árvore e a arrodeio de presentes até a chegada do Natal, desejo que dali para frente meus caminhos sejam mais iluminados ainda. É um momento de agradecimento pelo que conquistei ao longo do ano e de renovação de planos. Este ano, segundo Natal que passo em minha casinha, pendurei uma linda meia decorativa para Papai Noel na porta, para recordar os tempos de criança, em que cheguei a colocar meu sapatinho na janela. Também vou ter um presépio, para lembrar sempre que o Natal é o aniversário do grande irmão Jesus Cristo, pois seja a história Dele cercada ou não de mitos, lendas ou fantasias, é sempre a ele e a Deus que recorro tanto nas tristezas como nas alegrias. Já li uma frase atribuída a Voltaire que afirma que se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo. Sim, seria. Seja como for, acredito que Deus não seja uma invenção humana, mas que nós sim somos o Seu grande invento. Que assim seja. Amém.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

...

O post de hoje não tem título. É uma vontade de expressão com arrodeios. Misto de sentimentos e uma ansiedade que não sei explicar nem domino. Tenho passado alguns dias assim e sabe-se lá o motivo. Às vezes penso que é a fortaleza cedendo, bambeando as pernas, outras que são as inquietudes ocupando espaços ociosos, ou os desejos mais escondidos emergindo subitamente. Seja o que for, por momentos me aflige, não nego. Cambaleio, mas sigo. Rezo. E o que quero, de verdade, guardo comigo até a hora em que o sonho possa ser dividido. Enquanto espero, por vezes vem o nó na garganta e o conflito. Reenergizo-me. E vou embora a tentar revelar o destino.

domingo, 2 de outubro de 2011

Uma despedida sobre quatro rodas

Quatro anos e meio. Este foi o tempo que você permaneceu ao meu lado. Uma relação iniciada com a determinação de quem queria vencer uma barreira. E venci. Vencemos juntos. O início de nossa relação foi conturbado. Quase desisti de você depois daquele primeiro choque que tivemos quando eu pensava que já tinha controle sobre nós dois. Mas insisti. Batemos cabeça, sofremos, choramos, mas fomos fortes e tivemos um anjo da guarda sempre conosco. De tudo que vivemos, fica um saldo muito positivo, porque apesar das dores e desgastes que causamos um ao outro, nos amamos e vivemos aventuras incríveis e inesquecíveis. O primeiro a gente nunca esquece. Você agora vai continuar construindo sua história com outra pessoa e eu também criarei outra história sobre novas rodas. Coragem seguirá contigo. E eu ficarei com meu anjo da guarda, que continuará a me ajudar no que for preciso. Tenha certeza de que você me proporcionou muitas alegrias.


domingo, 25 de setembro de 2011

Lacuna

Abriu-se a lacuna. Outra vez. A alma inquieta persevera. Sensação de deslocameno. Devo ter sido deslocada da órbita de algum outro planeta. Tantas lutas para construir um castelo e a certeza de que algumas paredes ainda precisam de tijolos, rebocos e pinturas. Preciso tomar a pílula "soma" criada por Huxley para recarregar as energias e conseguir sobreviver nesse admirável mundo estranho. Mas, tenho o livre arbítrio para escolher tomá-la ou não. Se tomar, com ela virá o conformismo, o que uma alma inquieta não aceita. Prefiro mesmo optar por ver o mundo com os olhos livres mesmo que ainda me assuste. A mim fica a missão de assumir as dores e delícias que tem a liberdade e o conhecimento. Caetaneando, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Oswaldeando, fica o manifesto: "Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres."

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Da criação que tive

Tenho que agradecer eternamente pela criação que tive. Posso dizer com orgulho que nunca conquistei nada em minha vida que não fosse fruto de meu próprio esforço e devo isso à criação que tive, pois minha família me fez ver desde cedo o valor das coisas e que a educação é um bem valiosíssimo. Agradeço por não ter tido tudo que pedia e por ter sido levada a entender que para alcançar algo é preciso merecimento. Quero imensamente levar isso para todos os dias de minha vida e transmitir esses valores para os filhos que ainda não tenho. Soube hoje de algo tão torpe, que mexeu comigo e que guardarei para mim, mas tive vontade de registrar um forte agradecimento, porque caráter pode ser corrompido, mas se construído em bases sólidas, ninguém consegue abalá-lo. O meu, graças à criação que tive, é uma fortaleza.